O papel transformador da Educação Positiva
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Ao controlar melhor as emoções, os estudantes cultivam relacionamentos mais positivos e se engajam com significado e propósito, promovendo a melhoria da aprendizagem
Todos nós, gestores e educadores, temos paixão pela educação, pois conhecemos o seu potencial para transformar vidas. Contudo, é comum estarmos muito ligados à forma como nos educamos no passado e a padrões tradicionais. Uma educação que integra os mais recentes avanços da psicologia e da neurociência deve ser considerada como uma oportunidade estratégica para um modelo de instituição do século XXI. É aí que entra a Educação Positiva (EP).
A origem moderna do termo “Educação Positiva” surgiu em 2009 e deriva dos trabalhos do psicólogo norte-americano Martin Seligman sobre a Psicologia Positiva. Vale lembrar que essa nova abordagem da Psicologia foi muito profícua e gerou várias vertentes de trabalho, como as “organizações positivas”, “felicidade e bem-estar”, “flow” e “mindset”, entre outras.
Em uma conceituação mais geral, podemos dizer que a EP é uma abordagem que articula as competências cognitivas e as socioemocionais, o que significa a integração das práticas da Psicologia Positiva nos contextos da ação educativa (metodologias de ensino e aprendizagem) e da comunidade escolar (alunos, professores, funcionários e pais). Uma das práticas mais difundidas da Psicologia Positiva é o modelo PERMA-V (Emoções Positivas, Engajamento, Relacionamento, Significado, Realização e Vitalidade)..
Saúde mental, bem-estar e engajamento
Sabemos que o mundo atual nos impõe a interação crescente com tecnologias diversas, redes sociais, instabilidades, mudanças e incertezas. Nesse contexto, a conscientização da gestão da escola em relação a formar os estudantes para além de conteúdos é fundamental para a vida e o futuro desses jovens e se alinha com a promoção das soft skills, que têm grande relevância nos dias de hoje.
Como a EP se baseia em práticas com evidências empíricas de promoção de emoções positivas, engajamento, significado e vitalidade, ela possibilita transformar o contexto escolar atuando na individualidade e na coletividade. Assim, a saúde mental, o bem-estar e o engajamento de professores e alunos são consequências.
O processo se inicia com a conscientização e formação de professores e funcionários e o compromisso da gestão da instituição com a Educação Positiva. Todas as questões da escola devem ser tratadas a partir dessa nova abordagem, e os alunos também devem passar por essa sensibilização. Alguns exemplos de estratégias que podem ser utilizadas pelos estudantes, professores e gestores são:
· práticas de gratidão diárias em sala de aula;
· círculos de diálogo para fortalecer relacionamentos;
· projetos com propósito que conectam aprendizado ao significado pessoal;
· mentorias entre pares para engajamento;
· práticas de pausas atentas para regulação emocional (meditação e mindfulness, por exemplo)
Essas atividades podem ser transversais às disciplinas do curso ou realizadas por meio de projetos. Algumas instituições incluem também disciplinas na matriz curricular que abordam essas práticas e estratégias.
Desafios e perspectivas
Mas trabalhar com a Educação Positiva também traz desafios. Entendo que um dos principais é justamente conscientizar os gestores da importância e do potencial dessa metodologia para transformar a educação, já que há custos envolvidos e se trata de uma transformação total da instituição. Há ainda resistência, porém em menor grau, uma vez que alguns gestores e educadores já são early adopters dessa abordagem e reconhecem seus benefícios. Outros ainda aguardam mais evidências consolidadas ou preferem manter práticas tradicionais.
Hoje já sabemos, no entanto, que o estudante que consegue controlar melhor sentimentos como ansiedade e medo cultiva emoções e relacionamentos positivos e se engaja com significado e propósito, o que promove uma melhoria da aprendizagem.
Além disso, por possibilitar um maior engajamento, podemos ter redução da evasão, um aspecto que impacta de forma profunda os sistemas de educação, seja financeiramente, seja na promoção dos objetivos institucionais.
Ao colocar essa temática em discussão, o GEduc 2026 alinha-se com tendências mundiais da educação! Eu te espero lá para aprofundarmos esse debate!

Carlos Fernando Araújo Jr., diretor na Plenum Hub Educação, vai falar sobre “Engajamento e relacionamento entre instituição, alunos e professores: o papel transformador da Educação Positiva” no GEduc 2026.
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