Curso Internacional 2013 | humus

CURSOS INTERNACIONAIS

2013

Educação básica britânica
Particularidades e semelhanças frente à

realidade brasileira

No período de 06 a 15 de setembro, gestores de instituições de ensino infantil, fundamental e médio de diversos estados brasileiros tiveram a oportunidade de conhecerem de maneira abrangente a educação de Londres.

A programação científica do Curso de Gestão Escolar na Inglaterra (realizado pela HUMUS e pelo SINEP/MG) foi iniciada na segunda-feira, 09/09, com palestras sobre Liderança e Gestão Educacional no IOE – Institute of Education, um instituto avançado de pesquisa e pós-graduação na área de educação e para formação de professores, que integra a University of London, atualmente com mais de 120 mil alunos. O Instituto foi avaliado pelo governo do Reino Unido como a melhor instituição de pesquisa em Educação no País e uma das 10 melhores em pesquisa. De acordo com a Pesquisa Nacional do Estudante 2012 (Reino Unido), o IOE é o número 1 com relação à satisfação dos estudantes. Na mesma pesquisa aparecem as Universidades de Oxford e Cambridge, ocupando, respectivamente, a 2ª e 3ª posições.

Após abertura oficial realizada por Max Coates (Gestor do Mestrado de Liderança em Aprendizagem no IOE), que apresentou o panorama geral do programa, a primeira palestra, ministrada pelo Professor Toby Greany (professor de Liderança e Inovação no Centro Londrino para Liderança na Aprendizagem, no IOE), falou sobre as Perspectivas de Liderança na área educacional.

Citando a pesquisa de McKinsey&Co, de 2010, Greany apresentou alguns caminhos para elevar a liderança escolar, enfatizou que a liderança é uma competência crítica e necessária para uma escola atingir a excelência e que a mesma deve ser o motor para o desenvolvimento de talentos. Para este Professor, a qualidade da liderança do diretor da escola é a chave para a obtenção da qualidade acadêmica e sucesso dos seus alunos, pois é por meio da boa liderança que se obtém estudantes energizados pela aprendizagem.

Na segunda palestra deste dia, Dr. Raphael Wilkins (Diretor de Assuntos Internacionais do IOE) completou dizendo que o melhor caminho para a liderança escolar é o exemplo, incentivando os demais a melhorarem sempre. Para ele, é necessário primeiro que analisemos quais necessidades serão relevantes para as próximas gerações no futuro para que assim possamos desenvolver as pessoas para o papel da liderança.

Wilkins defende também que o líder do futuro deve ser um ativista, liderando para o mundo e não apenas no interior de sua escola.

Continuando a programação do curso, Dr. Max Coates apresentou as políticas educacionais britânicas que possuem como diretrizes centrais a obtenção da excelência, a eficácia e a qualidade, num país onde existem 24.500 escolas, englobando as instituições publicas e as independentes (privadas), e sendo todas elas avaliadas pelo governo.

Criticando o sistema de avaliação inglês, Coates mencionou que este se preocupa em medir apenas alguns aspectos de desempenho, e propiciou ótimas reflexões junto ao grupo de educadores brasileiros, analisando e correlacionando as necessidades educacionais para a formação de um cidadão e suas respectivas atuações profissionais.

Ao final de sua palestra, Max levantou uma questão muito interessante para a reflexão dos gestores escolares presentes no Curso: será que o nosso sistema educacional está produzindo alunos que tenham capacidade de continuar aprendendo durante toda a vida?

Fechando este primeiro dia, os dirigentes educacionais do Brasil assistiram a excelente apresentação de Lucy Blewett (Líder no desenvolvimento do ensino-aprendizagem em Londres), que falou sobre a formação e prática dos professores das escolas britânicas, mostrando os caminhos que foram adotados para a obtenção de melhores resultados nas aprendizagens dos seus alunos. Enfatizou que para melhorarmos a performance dos professores necessitamos agir com o aperfeiçoamento diário, ou seja, dia após dia devemos sugerir caminhos para boas mudanças no processo da aprendizagem.

O segundo dia de curso começou com o Professor Norbert Pachler (Diretor de Ensino, Qualidade e Inovação da Aprendizagem no IOE) abrangendo reflexões a respeito das responsabilidades do educador para com a integração sintonizada do uso da tecnologia no contexto do processo de ensino-aprendizagem. Pachler questionou o grupo sobre como as novas tecnologias tem a ver com o dia a dia dos alunos e apresentou alguns caminhos de como o educador pode ir ao encontro das necessidades do aprendiz.

Seguindo com a programação, Vivienne Porritt (Diretora Executiva do Centro Londrino para Liderança na Aprendizagem no IOE) fomentou uma série de debates entre os participantes do curso e apresentou fatos de uma pesquisa que mostra a baixa aplicabilidade em sala de aula de tudo o que os professores aprendem em seus estudos. Porritt diz ser totalmente necessário que as escolas tenham uma pessoa do alto escalão e específica para cuidar e organizar a aplicação destes conteúdos para o efetivo aperfeiçoamento das aulas. Para ela, nem todo professor é brilhante, mas bons professores podem ser excelentes se tiver uma estrutura de apoio.

Após a pausa para o almoço, Guy Holloway (Cofundador e Diretor do Hampton Court House School) apresentou, de forma apaixonante, o desenvolvimento e crescimento de sua instituição, tanto no âmbito da evolução dos alunos, como nos aspectos da liderança dos gestores. Guy falou sobre a importância de revermos continuamente os paradigmas educacionais, pois é importante questionar o que tomamos como verdadeiro.

Finalizando esta etapa no IOE, Dr. Chris Watkins (Especialista em Aprendizagem no IOE) fez uma correlação entre a sala de aula mais antiga do mundo e os métodos de ensino que utilizamos atualmente, mostrando que muitos deles são os mesmos há 5.000 anos e relatando sua preocupação com a questão de que a atenção dedicada à qualidade do ensino é muito maior do que aquela voltada ao aprendizado, deixando uma pergunta aos educadores presentes: o que mais frequentemente acontece – ensinar sem aprender ou aprender sem ensinar?

Após o curso de 2 dias, foi iniciada a parte prática da viagem. Quarta-feira, dia 11/09, o grupo visitou a Hampton Court House School, uma escola preparatória (atende alunos dos 3 aos 16 anos de idade) que não segue os padrões britânicos com relação à educação e ao currículo - pelo contrário, tem como principal objetivo deixar suas crianças aprenderem de maneira livre e muitíssimo interessante.

Hampton está instalada em um prédio magnífico construído em 1757 e tem alunos de nacionalidades diversas, sendo que, além do Inglês, possui o Francês e o Latim como principais idiomas, além do Mandarim e Espanhol.

Nesta apaixonante escola, os representantes do Brasil foram recepcionados pelos diretores José Maria Alvarez-Campos e Guy Holloway, sendo, ainda, agraciados com um almoço preparado por um Chef brasileiro e muito simpático.

O grupo teve a oportunidade de assistir aulas de matemática e geografia em Francês, onde além de aprenderem as disciplinas, os alunos memorizam, suave e simultaneamente, um novo idioma. Assistiram também a uma aula de Mandarim, além de um divertido aprendizado do Francês, por meio do teatro.

Na quinta-feira (12/09), o grupo visitou o Science Museum, local destinado para facilitar o entendimento da ciência pelos estudantes. A visita foi muito rica, sendo impressionante a organização e impecável manutenção do museu.

O dia 13/09 (sexta-feira) foi o último de programação científica da viagem. Foram realizadas visitas a 2 escolas com realidades totalmente distintas.

No Dulwich College, Christopher Parsons, responsável pelas Relações Internacionais do Colégio, e Alasdair Kennedy, Diretor Acadêmico, receberam o grupo de maneira muito agradável. Eles ressaltaram que o Dulwich, por ser uma instituição privada, faz parte da minoria das escolas britânicas (8% dos alunos estudam em escolas deste tipo contra 92%, que estão em escolas públicas). O Colégio, que está a 8km do centro de Londres e possui uma imensa área vede, além de 6 filiais na China, na Coréia do Sul e em Singapura, foi fundado por um famoso ator em 1619 com apenas 12 alunos e sem fins lucrativos. Atualmente, possui 1.500 alunos (é uma das maiores escolas independentes no Reino Unido, em número de estudantes), com idades entre 11 e 19 anos, sendo que 30% deles recebem algum tipo de bolsa e os demais pagam 1.600 Libras ao ano para terem o privilégio de estudarem em uma escola como esta.

O College incentiva fortemente a prática de esportes em seu próprio campus e funciona como board school (quando os alunos “moram” lá) para 10% de seus estudantes, que são de diversas nacionalidades (pouquíssimos são brasileiros).

Uma grande curiosidade, é que esta escola é exclusiva para meninos. A explicação para isso, segundo Christopher Parsons, é que na época em que a mesma foi fundada as mulheres não eram educadas fora de suas residências e, devido à diferença no desenvolvimento de meninos e meninas, por terem se tornados especialistas em educar garotos, decidiram permanecer como originalmente e fundaram uma segunda escola, desta vez com exclusividade para as garotas. Parsons ressaltou que apenas uma pequena parte das escolas britânicas ainda mantem essa diferenciação entre os sexos.

Na parte da tarde, a programação do Curso foi finalizada com a visita à Springfield Community Primary School, uma escola pública situada no subúrbio de Londres que, apesar da falta de recursos, possui um excelente nível de qualidade.

Nesta escola, os gestores brasileiros foram recepcionados por Lucy Blewett (Líder no desenvolvimento do ensino-aprendizagem em Londres), que enfatizou que as crianças chegam a esta local com níveis educacionais muito baixos e o desafio do colégio é desenvolvê-las, sendo que a maioria dos alunos vem de outros países (75% não possuem o inglês como língua materna).

Lucy ressaltou ainda que há 4 anos a escola estava bem abaixo da expectativa nacional e agora, após muito trabalho junto ao método de ensino dos professores por meio de processos de observação, já estão acima do que se espera para escolas deste nível na Inglaterra.