Avaliação: como diferentes instrumentos avaliativos podem colaborar para a aprendizagem dos alunos?
- 15 de abr.
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Processo deve combinar formatos diversos para medir conhecimentos, aplicação dos conteúdos e aspectos atitudinais, além de usar métricas para monitorar o progresso dos estudantes
A avaliação tem um papel essencial na aprendizagem ao permitir acompanhar o desenvolvimento dos alunos, ajustar rotas e possibilitar que avancem na construção do conhecimento. Para os professores, também é um instrumento fundamental para entender o ritmo, as potencialidades e as dificuldades de cada estudante, auxiliar no planejamento e fazer intervenções pedagógicas mais assertivas.
Idelfranio Moreira, diretor de Ensino e Inovações do SAS Educação, lembra que, no senso comum, a ideia de “prova” corresponde à chamada avaliação somativa, que é aquela realizada ao final de um ciclo de aprendizado para medir o desempenho, as habilidades e as competências adquiridas pelos alunos, geralmente resultando em uma nota. Além da somativa, há também as avaliações formativas -- que ocorrem de maneira contínua durante o processo de aprendizagem para fornecer feedback aos estudantes, permitindo ajustes no processo de ensino – e as diagnósticas, aplicadas antes do início de uma nova etapa de estudo para identificar os conhecimentos prévios da turma e eventuais defasagens.
Para ele, um processo avaliativo completo deve combinar diferentes formatos. No entanto, o fato de a prova tradicional ser predominante ainda hoje está relacionado a vários fatores, inclusive históricos. “Esse é o modelo ainda mais adotado em instituições de ensino superior e até mesmo no mercado de trabalho”, afirma.
Ressignificar a prova tradicional
O diretor de Ensino e Inovações do SAS Educação acrescenta que muitos alunos -- famílias e, às vezes, alguns professores -- ainda acreditam que estudam apenas para as provas e que são obrigados a “perder tempo” com conteúdos que consideram inúteis. “Precisamos trabalhar para que esse seja um paradigma do século passado. Hoje, com os conhecimentos da neurociência, descobrimos, por exemplo, o chamado mindset de crescimento, a partir do trabalho da psicóloga americana Carol Dweck”, aponta. “Agora, o paradigma é que o esforço de estudar ajuda a reforçar e desenvolver sinapses e redes neurais. Entendendo assim, a ‘prova tradicional’ é ressignificada.”
Outro exemplo que mostra o valor da prova tradicional, segundo ele, são as olimpíadas científicas que, em grande medida, mantêm esse formato. “Há décadas relevam alunos excelentes, em todas as áreas do conhecimento, ao ponto de termos, atualmente, vagas olímpicas em cursos e universidades de ponta”, argumenta. “É um movimento em ascensão nos últimos anos aqui no Brasil.”
Avaliação por rubricas
Entre os diversos instrumentos que podem ser usados para avaliar os alunos, além das provas, Idelfranio cita a avaliação por rubrica. “Principalmente como formativa, mas em contextos específicos, até como somativa”, diz. Ele explica que a rubrica é um documento elaborado pelo avaliador que define as dimensões a serem consideradas, como conhecimento e aplicação do conteúdo, aspectos atitudinais em relação à execução etc. Nesse modelo, os níveis de desempenho são estipulados em relação a atingir ou não os objetivos esperados.
“Essa forma de avaliação tem a característica de servir como uma espécie de mapa para o aluno, antes e durante a execução das propostas. E, também, o fato de avaliar por desempenho -- não atingiu, atingiu parcialmente, atingiu e superou -- é mais amigável para muitos estudantes”, ressalta.
Geração de métricas
As avaliações também podem gerar métricas para mensurar e monitorar o progresso dos alunos, fornecendo dados que contribuem para a aprendizagem e a personalização do ensino. “Para além do resultado final, as métricas permitem enxergar o engajamento e o comprometimento do estudante e sua capacidade de execução. Hoje, podem gerar insights relevantes para o uso dos resultados como alavanca de melhoria da aprendizagem”, salienta Idelfranio.
Como exemplo, ele menciona a Teoria da Resposta ao Item (TRI), utilizada no Enem, que pode servir para analisar deficiências na aprendizagem a partir da alternativa errada que o aluno marcou. “Em uma questão com cinco alternativas, há uma correta e quatro incorretas. Os chamados distratores (alternativas erradas), numa análise posterior à correção, permitem personalizar atividades extras, descobrir vieses e pensar estratégias de aprendizagem”, detalha.
Desafios em cada nível de ensino
Quanto aos desafios para a implementação de modelos de avaliação mais formativos e uma cultura de métricas e feedbacks nas escolas, Idelfranio diz que eles dependem de cada segmento. Tradicionalmente, no Ensino Médio, reside o maior desafio de diversificação de instrumentos avaliativos, já que é uma etapa de preparação para os vestibulares o Enem.
“Mesmo assim, o uso de uma plataforma de educação com recursos online garante relatórios com ampla gama de métricas que dão autonomia ao aluno, oferece trilhas personalizadas a partir de seus erros e acertos, além de dar insights para a melhoria da aprendizagem”, afirma o diretor. “No Ensino Fundamental, a plataforma permite trilhas gamificadas de estudo, além de apoiar a criação de relatórios, método de acompanhamento avaliativo utilizado na Educação Infantil”, completa. E ele alerta que a capacitação e o comprometimento dos docentes são diferenciais na qualidade das avaliações, bem como das possibilidades geradas por elas.
Idelfranio Moreira, diretor de Ensino e Inovações do SAS Educação, falou sobre “Avaliação além da prova: métricas inteligentes e feedbacks que constroem aprendizagem” no GEduc 2026.
Confira a sua mensagem aos educadores e gestores escolares:

“O comprometimento com a criação do processo avaliativo completo, o cuidado com a criação de cada instrumento e a dedicação com os dados gerados pelas avaliações são fundamentais para que esta etapa seja relevante no estudo e no aprendizado dos alunos. Contextualizar estudantes e famílias sobre o racional da instituição e do profissional quanto às escolhas feitas pela escola também pode ser chave para um processo bem-sucedido!”
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